Existe almoço grátis

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'cat wallpaper only png collection2560x1600ubuntu font29' photo (c) 2011, skand gupt - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Nelson Motta é o irresponsável autor do artigo “Boca Livre high-tech” publicado no Estado de São Paulo e no O Globo na última sexta-feira, dia 14. Infelizmente, não se trata de um homônimo, é mesmo o jornalista, escritor e crítico musical. Lamentável. Indignado, inclusive porque atinge conceitos cruciais para a Nova Economia, enviei-lhe um e-mail, abaixo transcrito.

Antes, um breve resumo do besteirol: diz que o software livre e uma espécie de MST digital. Chama Richard Stalmann de Richard não-sei-o-quê, uma besta, e investe contra os que acreditam em almoço grátis.

Vamos então à resposta a este transloucado artigo:

Desta vez, Nelson Motta, você derrapou feio. E o que espanta é que, em geral, suas colunas tem sido divertidas e oportunas. Mas a de hoje, “boca livre high-tech” errou todas. Também, quem manda falar do que não conhece sem antes estudar um pouco.

Antes de mais nada convido-o a usar o Ubuntu e verá que é muito melhor do que os outros. O Windows e o iOS a ele não se comparam em termos de beleza, funcionalidade, performance e facilidade de uso. E por favor, não comente antes de pelo menos conhecer o dito cujo.

Ah, trata-se de um software livre. Assim, você descobrirá que existem milhares dos melhores programadores trabalhando colaborativamente em torno desta e de milhares de outras aplicações também livres.

Neste ponto já posso dizer-lhe: existe vida após o lucro, Nelson. Aliás, almoço grátis é o que mais existe por aí. Veja só, quando um custo ambiental ou social não é computado é almoço grátis para quem pode usar o recurso. Complicou? Pense na poluição de um automóvel, por exemplo. Este aspecto, é o que os economistas ortodoxos chamam de externalidades. Na verdade, forma elegante de definir privilégios.

Mas existe também o almoço grátis que embeleza a vida, além do software livre. Você Nelson, quando se dedica a seus filhos está lhes oferecendo o que? Se você parar para pensar um pouco verá que a maior parte das atividades humanas são realizadas sem fins lucrativos. Por exemplo, quando você cria, e bem, você está realmente à procura de lucro?

Lembre-se, as mães, os voluntários, uma parte do trabalho do artistas e das pessoas em geral são desconsiderados pela economia tradicional.

Se já não bastasse, leve em conta o incrível acervo criado pela humanidade que está, quando não é apropriado indebitamente, à disposição de todos nós.

Mas eu entendo. Você, com toda sua inteligência, caiu na armadilha que alguns “economistas” espalharam pelo mundo: reduziram a realidade e fazem crer que o reduzido é o todo.

Quanto à comparação com o MST, deve ser coisa do seu inconsciente tentando defender o “bem bom”. Qual o paralelo entre um movimento que revindica terras e um que cria softwares? Nenhum, sem demérito para o MST. A burrice da comparação vem, com certeza, da lembrança que o software livre, como muitas outras criações, tem, em geral, uma licença “creative commons” que incomoda muito pessoas como você.

Ah, duas observações finais. Veja só a lógica de “anta” que você usou: “Como não existe almoço grátis então não existe software livre”. E ainda, Nelson não-sei-o-quê, o Richard Stalmann é simplesmente o fundador da Free Software Foundation e do GNU Project.

Pula fora, meu amigo. Este é o meu almoço grátis para você.

Termino lembrando ao infeliz jornalista que a imagem que ilustra o post está protegida por uma licença “creative commons”. “Chato”, não é? E, sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Existe almoço grátis”

  1. Christopher Says:

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