O profeta do apocalipse retorna

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Helicopter Ben

Os acontecimentos das últimas semanas me levaram a interromper uma série de posts sobre a Rio +20 e comentar o que parece ser um repentino acirramento da grande recessão. No último post, expus a surpreendente, apesar de óbvia, comparação feita por Jacques Attali da rolagem da dívida pelos países desenvolvidos com o esquema da piramide.

O post de hoje centra-se em nova previsão de Nouriel Roubini professor de economia da NYU e um dos poucos a antecipar a eclosão da crise de 2008. Ignorado e criticado até então, chegou a receber a alcunha de “senhor apocalipse”, mas acabou por obter grande reconhecimento, o que fez sua empresa de consultoria econômica RGE tornar-se voz importante. Tão importante que ficou nítido o cuidado excessivo com que passou, desde então, a tratar os temas e o alinhamento com os novos cavaleiros do apocalipse (Bernanke, presidente do FED e Geithner, secretário do Tesouro).

Em seu último artigo, entretanto, “Estará o capitalismo arruinado?”, ele rompe com esta passividade e volta a fazer uma cuidadosa, embasada e dramática análise da situação atual, certamente optando por manter sua base de leitores (na verdade, clientes) corretamente informados.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção no artigo foi a afirmativa de que o FED (banco central americano) já esgotou os mecanismos de manipulação capazes de contornar a crise. Em enfática afirmação na entrevista ao WSJ em apoio ao artigo ele voltou ao ponto: Evitar nova recessão é missão impossível. O mundo caminha para um segundo mergulho na crise e não se pode mais “tirar coelho da cartola”.

Nesta sexta-feira, espera-se que que Bernanke anuncie novas medidas e será possível confirmar se há ainda algum “coelho na cartola”. O que parece certo é que o banco central americano tentará uma nova rodada de afrouxamento monetário (“quantitative easing”). Vale a pena lembrar que Bernanke, estudioso da grande depressão, é adepto da tese de que com afrouxamento monetário não se teria chegado à tamanha crise na década de 30. É por isto que em 2002 chegou a dizer que se fosse necessário “jogaria” dólares de helicóptero para garantir a fluidez do sistema, o que lhe valeu o apelido de “helicopter Ben”. É claro que pôde dizer isto apoiado no fato que o dólar é a moeda de referência mundial. Num primeiro momento, pelo menos, pode emitir sem maiores consequências.

 “Jogar” dinheiro do céu dá uma ideia de imparcialidade na sua distribuição. Mas, é sintomático que quando pôs sua teoria em ação atingiu do seu “helicóptero” os  alvos com precisão: Bancos. Nem ao menos os que estavam com o pagamento de suas hipotecas atrasado foram contemplados. Enfim …

Voltando ao artigo do Roubini, mais adiante ele afirma ainda que o doloroso processo de desalavancagem das famílias, bancos, instituições financeiras, corporações e governos locais e centrais mal começou e que a redução forçada do débito (calote) será necessária para que aqueles possam reequilibrar suas finanças.

E, talvez para chamar atenção para suas propostas, ele afirma que a possibilidade aventada por Marx de autodestruição do capitalismo se confirmará caso não se consiga evitar que a atual crise evolua para o que ele chama de “a grande depressão 2.0”, daí o título do artigo.

Roubini termina com uma série de sugestões para que o capitalismo possa sobreviver e se desenvolver. Para tanto, sugere a criação de empregos via estímulo, taxação, rigor fiscal, reforço na atuação monetária dos bancos centrais, redução dos débitos (calote) das famílias e outros agentes que estejam insolventes, políticas efetivas de crescimento, supervisão e regulação da atividade financeira, e investimento no capital humano.

É mais um a insistir no crescimento econômico como solução. E pior, as medidas que propõe para tanto ou já foram implementadas ou são politicamente inviáveis, como se viu no recente impasse na renegociação do teto da dívida americana.

Uma coisa é certa. A necessidade de soluções efetivas torna inevitável considerar novos caminhos. O que amplia e antecipa a possibilidade de transição para uma Nova Economia. E com ela, forjar um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar. Infelizmente, não sem grandes traumas sociais, já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá após vencidos os interesses estabelecidos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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3 Respostas to “O profeta do apocalipse retorna”

  1. Christopher Says:

    A partir de 8 de setembro de 2011, utilize a a Central de comentários, no menu principal.

  2. Fabiana Says:

    Oi Cristopher, tudo bem? Trabalho em uma ONG que está começando a fazer um mapeamento do conhecimento em Nova Economia no Brasil, e gostaria bastante de conversar com você. Se puder, por favor entre em contato para continuarmos esta conversa.
    att,
    Fabiana

    • Christopher Says:

      Fabiana, estou à sua disposição no que puder ajudar. Como sua ONG tem um viés (e isto não é uma crítica) ambiental talvez você ache produtivo ler o post “Do Ambientalismo à Nova Economia” apoiado num excelente texto do Gus Speth.
      A Nova Economia, no Brasil, engatinha. Acho que o Elimar Nascimento do CDS da UnB é quem pode ser uma referência de conhecimento bastante interessante. Transcrevi na forma de um post um artigo dele e escrevi dois outros posts apoiado em artigos que ele escreveu.
      O movimento na Inglaterra e nos EUA está ganhando corpo. A nef tem uma produção impressionante. Sou um “nef supporter” mas nunca consegui maior aproximação com eles. Quem sabe haja interesse de vocês em tal aproximação. São os melhores. O que não quer dizer que concordo com tudo.
      Tenho um vínculo muito bom com o pessoal do CASSE no Brasil e nos EUA. Eles são ótimos. Estão numa linha com a qual você deve ter bastante afinidade, que é a do pensamento do Herman Dale que participa da ONG.


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