A economia verde. Ilusão?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Green Economy resized' photo (c) 2011, Philippe Put - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Como ressaltei no último post, em junho de 2012 ocorrerá no Rio de Janeiro uma nova conferência de cúpula da ONU centrada no que tem se chamado de economia verde. Convém pois, antes de descrever em mais detalhe o encontro e comentar suas propostas e possibilidades, analisar o seu tema principal. A UNEP define a economia verde “como sendo aquela que resulta em aumento do bem estar e justiça social, e ao mesmo tempo reduz significantemente os riscos ambientais e a escassez ecológica. Em sua expressão simples, pode ser pensada como uma de baixo carbono, eficiente no uso de recursos e inclusiva socialmente”.

Desconsiderando uma certa imprecisão, a semelhança com as propostas por uma Nova Economia logo desaparece, pois, continua: “em termos práticos, a economia verde é uma onde o crescimento e o emprego são movidos por investimentos públicos e privados que reduzem a emissão de carbono e a poluição, aumenta a eficiência energética e de uso dos recursos e evita a perda na biodiversidade e nos serviços do ecossistema”. Ou seja, quer dirigir a onda verde para que ao invés de colidir promova e dê continuidade ao crescimento econômico como objetivo maior para a humanidade. Muito mais do que sobrevida ao desenvolvimento sustentável, a economia verde é uma proposta para “fazer do limão uma limonada” transformando a inadiável transição para o baixo carbono num novo motor do crescimento econômico, superando os impasses da grande recessão em curso.

O passe de mágica da proposta de uma economia verde está na ideia de que “o descolamento relativo” entre a quantidade produzida e o uso de recursos supere os limites naturais cada vez mais evidentes do crescimento econômico.

O “decoupling” realmente ocorre, por força principalmente do avanço tecnológico. Por exemplo, Por 25 anos, até 2006, o CO2 emitido no mundo por uso de energias fósseis caiu de pouco mais de um quilo para 770 gramas por unidade do PIB medido em dólares. Mas, o que realmente importa são os valores absolutos.

Leitor, veja a gravidade da situação. O recomendável é que a humanidade alcance uma redução de 50% nas emissões até 2050, relativamente à 1990. Isto para limitar o aquecimento global a 2º minimizando os riscos de calamidades. Mas, caminhou em sentido contrário. Hoje, em termos absolutos, as emissões globais oriundas do uso de energias fósseis já são 40% superiores às de 1990.

Aprofundando a questão, lembro, conforme o post “Dúvidas sobre a declaração do CASSE” que princípios consolidados da física e da ecologia sustentam a obviedade dos limites ao crescimento econômico. Dentre eles, as duas primeiras leis da termodinâmica, o conceito de nível trófico (cadeia alimentar) e o da exclusão competitiva. Não há como esperar que o “decoupling” evite mais e mais uso de recursos naturais.

Além disto, há a possibilidade, muito bem apresentada no artigo “O grande embaraço da Rio – 2012” de José Eli da Veiga, “da poupança obtida com aumento de eficiência energética ser empregada no consumo de outros bens e serviços com custos energéticos que podem até provocar um jogo de soma zero, situação descrita como “tiro pela culatra”. Basta pensar, por exemplo, em uma economia feita com a aquisição de um carro flex que viabilize a compra de mais uma viagem aérea”.

Bem, fica assim claro que a “economia verde” mesmo com o “descasamento” não é solução.

Interessante é que a economia verde parece estar se dividindo em duas correntes. Uma centrada na transição para o baixo carbono e outra com grande identidade com as propostas por uma Nova Economia. O belo, amplo e profundo trabalho patrocinado pela Conservação Internacional Brasil publicado no número 8 de sua revista eletrônica “Política Ambiental” mostra isto. São 18 artigos de especialistas de diversos setores da sociedade sobre alternativas econômicas e sociais rumo a uma economia de baixo carbono, mais inclusiva e sustentável.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

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Uma resposta to “A economia verde. Ilusão?”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


Comentários encerrados.

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