Decrescimento – qual a consistência?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'qual é a dúvida?' photo (c) 2007, Diego Dacal - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

O título deste post, peguei “emprestado” do trabalho “Décroissance: Qual a consistência?” de Elimar do Nascimento e Gisella Colares apresentado no VIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica em 2009, e que é uma excelente fonte para um aprofundamento das questões propostas pelo decrescimento, objeto do último post. Ele é a fonte também da citação e resumo transcritos no texto a seguir. Para uma visão geral do trabalho, veja os slides da apresentação feita no encontro.

O leitor encontrará também, no blog, 2 links de sites que se dedicam ao assunto e que contém excelentes informações, indicações de outros sites e bibliografia.

Dito isto, passo aos meus comentários sobre o assunto.

O mais importante é que o movimento pelo decrescimento tem uma abordagem de convivência e diálogo com as obras, autores e outros movimentos que tratam da mesma temática, e que não se vê como detentor exclusivo da visão crítica do papel do crescimento econômico. E isto é muito bom, pois é juntando forças, como diz bem Gus Speth (do Ambientalismo à Nova Economia) que os movimentos ambientalistas, por uma Nova Economia, por uma Economia em Equilíbrio, Decrescimento e outros similares poderão antecipar e viabilizar as mudanças e com isto abreviar o sofrimento, especialmente o das populações carentes.

Um segundo comentário é sobre o nome. Citando Serge Latouche: “…o decrescimento não é um conceito, no sentido tradicional do termo, e que não seria o caso de falar propriamente de “teoria do decrescimento” como os economistas souberam elaborar as teorias do crescimento. O decrescimento é simplesmente um slogan, lançado por aqueles que procedem a uma crítica radical do desenvolvimento a fim de quebrar a rigidez economicista e de desenhar um projeto de reserva para uma política de pós-desenvolvimento”. O termo decrescimento, parece-me pois, é usado para expressar o rompimento com a ideologia do crescimento econômico a qualquer custo.

 Finalmente, ressalto a quase completa afinidade do decrescimento com o movimento pela Nova Economia, o por uma Economia em Equilíbrio e outros. Basta comparar a proposta dos oito erres, de autoria de Latouche, apresentadas resumidamente a seguir, com a “declaração do CASSE” e o documento “The Great Transition” da nef:

“1. Reduzir o consumo em geral, e com isso a produção, afinal é possível viver melhor com menos, pois grande parte de nosso consumo é induzido e pouca relação tem com nossas mais profundas necessidades;

2. Reciclar os produtos existentes para dispensar a produção de novos, criando a cultura da conservação e do reaproveitamento ao invés do descarte;

3. Reutilizar o que já existe de forma inteligente economizando recursos naturais e energia;

4. Reavaliar os nossos consumos, os nossos hábitos, os nossos procedimentos que são na maioria das vezes degradadores da natureza;

5. Reconceituar a nossa vida, o nosso consumo, as nossas relações e vínculos sociais para uma direção mais saudável;

6. Reestruturar, ou seja, adaptar as estruturas econômicas e as instituições políticas e sociais aos novos objetivos de uma sociedade convivial;

7. Redistribuir melhor os bens existentes, incluindo a participação nos processos decisórios, portanto, uma redistribuição econômica, mas também política, cultura e social;

8. Relocalizar a produção, o trabalho, a moradia para que o “não transporte” possa ser disseminado, para que os transportes de mercadorias sejam reduzidos, assim como o de pessoas;”

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Decrescimento – qual a consistência?”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


Comentários encerrados.

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