Decrescimento

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Na Europa, em especial na França e na Espanha, o movimento pelo “decrescimento” vem defendendo ideias que têm muita afinidade com as da Nova Economia. Por isto, convidei Edson Franco, economista e co-moderador da lista brasileira sobre o decrescimento para fazer uma apresentação do tema.

Edson Franco

O avanço da ciência e da técnica tem trazido benefícios para as populações, mas também vários problemas de ordem econômica, política, ambiental e social. O decrescimento é uma proposta para resolver esses problemas de forma profunda e eficaz.

O decrescimento é uma evolução conceitual do pensamento de críticos à modernização de nossas sociedades. Dentre muitos, vale destacar, já no início da década de 60, Ivan Illich (pensador austríaco) e Rachel Carson (bióloga estadunidense) que alertaram para os efeitos negativos da economia contemporânea, Ernst Schumacher, autor do livro “Small is beautiful” lançado em 1973 e Nicholas Georgescu Roegen, que em estudo de 1971 inovou ao utilizar as leis da termodinâmica para demonstrar a limitação do crescimento econômico.

A proposta formal do decrescimento econômico veio a ser lançada somente três décadas depois, mais precisamente em novembro de 2003, através do artigo “Pour une société de décroissance” no jornal “Le monde diplomatique” escrito por Serge Latouche. A ideia ganhou força e conta desde então com a contribuição teórica de Latouche e vários outros pensadores.

Bem a proposito, o simbolo do decrescimento é o caracol, adotando um exemplo trazido por Ivan Illich. O caracol constrói espirais cada vez maiores até bruscamente começar a fazer voltas cada vez menores. Se continuasse crescendo, em apenas uma volta sua concha seria 16 vezes maior inviabilizando sua existência.

'Caracol sobre hoja' photo (c) 2007, Enrique Dans - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É importante destacar que o decrescimento nada tem a ver com o conceito de desenvolvimento sustentável. O decrescimento alerta que não é possível um crescimento infinito num planeta finito. A escassez de recursos naturais e energia, entre outros, faz com que o paradigma do crescimento infinito tenha que ser superado com urgência. Por isso, defender o desenvolvimento sustentável é ludibriar-se.

Uma outra forma de abordar tal limitação ambiental é através da “pegada ecológica” que expressa a quantidade de terra e água necessária para sustentar uma determinada população tendo em vista todos os recursos materiais e energéticos gastos por essas mesma população. A pegada ecológica da humanidade alcançou tamanhos alarmantes. Segundo a WWF, o aumento do consumo dos países subdesenvolvidos, aos índices de consumo dos EUA, representaria a necessidade de outros 6 planetas Terra.

Isso aponta para mais um problema: a superpopulação. E, dados recentes divulgados pela ONU prevendo que a população total da terra em 2100 será de 10,1 bilhões de pessoas mostram que ficará ainda mais agudo. Falta de alimento, água e trabalho, e piora ainda maior na qualidade de vida, violência urbana e desigualdade social são algumas das consequências do quadro demográfico.

Para resolver estes e outros problemas, o decrescimento econômico propõe a diminuição das atividades econômicas: menos produção de bens comerciáveis, menos deslocamentos, menos quantidade de horas trabalhadas, menos poluição e desmatamento. O decrescimento enxerga no menos, o mais, e propõe que as pessoas retirem do seu imaginário o crescimento econômico como um valor inquestionável.

Bem, no próximo post apresentarei mais informações e comentários a respeito.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Decrescimento”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


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