O quanto é o bastante?

1) Novo: Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Conforme mencionei anteriormente, o documento “Enough Is Enough“, resultado de uma conferência promovida pelo CASSE e a organização “Economic Justice for All” em 2010 é uma importante referência para a Economia em Equilíbrio.

Cerca de 250 economistas, cientistas e outros interessados se reuniram com dois objetivos:

  • Chamar a atenção a respeito do volume substancial de evidências cientificas que mostram que o crescimento econômico não é ambientalmente sustentável e não está melhorando a qualidade de vida nos países desenvolvidos.
  • Identificar políticas específicas e implementáveis para se chegar à uma Economia em Equilíbrio.

 O documento realça uma importante e interessante ideia: Ao invés de mais, o bastante, baseada na noção que a partir de um nível, dito suficiente, de bens e serviços, mais não significa maior bem estar. É de se supor que o bastante é alcançável e viável para todos. Em sendo, tendo em vista, como vimos em post anteriores, que os desejos dos seres humanos são ilimitados e contidos apenas pela renda disponível, limitar o consumo ao bastante implica em renda compatível com tal nível de consumo.

Bem, sobre o 1º objetivo da conferência, o documento destaca que “a humanidade já ultrapassou 3 (*) de 9 fronteiras do planeta”. Tais fronteiras definem limites cuja ultrapassagem podem causar abruptas e catastróficas mudanças ambientais. E são: mudança climática (*), perda de biodiversidade (*), ciclos de nitrogênio (*) e fósforo, redução da camada de ozônio, acidificação dos oceanos, uso da água, uso da terra, carga de aerosol e poluição química.

Outros indicadores, como a “pegada ecológica” indicam que estamos num estado de esgotamento ecológico global: a devastação de florestas e a pesca ocorrem em ritmo mais rápido do que a reposição. Resíduos como CO2 não mais conseguem ser absorvidos. O resultado é a erosão do estoque de recursos naturais e do suprimento de serviços do ecosistema dos quais a economia e a sociedade, em última instância, dependem.

No documento são identificadas 10 principais políticas para se chegar a uma Economia em Equilíbrio e para cada uma indica porque é necessária e como pode ser implementada. Tais políticas são:

Limitar o uso de recursos e as perdas.
Estabilizar a população.
Distribuição equitativa da renda e riqueza.
Reformar o sistema monetário.
Mudança nos critérios de medida do progresso.
Pleno emprego.
Repensar a estrutura das empresas e os métodos de produção.
Cooperação entre as nações.
Mudança no comportamento do consumidor.
Atrair os políticos e a mídia para a nova realidade.

E salienta a necessidade de uma nova teoria econômica que reformule conceitos fundamentais como investimento, produtividade e propriedade, de forma que a economia gere retornos sociais e ambientais, a produtividade seja otimizada e haja estimulo a cooperativas e outras formas de controle dos empreendimentos.

O documento menciona também o mais importante, o que fazer para se chegar lá, e propõe um plano de transição para avançar em direção a uma Economia em Equilíbrio:

Estimular a mudança comportamental do “mais” para o “necessário”.
Aprofundar as pesquisas relacionadas a uma nova teoria econômica.
Divulgar os males do crescimento econômico e as vantagens de uma Economia em Equilíbrio.
Dar suporte e implementar as políticas de transição para uma Economia em Equilíbrio.

 Vê-se em algumas das políticas propostas a esperança, infundada a meu ver, de que seja possível induzir a mudança no comportamento de cada um. Também, não se menciona o “como” fazer, o que será objeto de um post específico.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

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3 Respostas to “O quanto é o bastante?”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.

  2. Mirna Says:

    Sou estudante de pós-graduação do curso de Desenvolvimento Regional da UFAC, e na disciplina de Economia Ecológica, boa parte do que vc apresenta é a questão chave de nosso debate.
    Devemos aliar uma nova práxis centrada principalmente em atitudes!!
    O que cada um de nós incorpora no seu dia-dia para transformar essa realidade circular fechada e “perfeita” da economia neoclássica???

    • Christopher Says:

      Mirna. Acredito também na importância da coerência entre ideias e atitudes. Acho porém que a mudança decorre de movimentos sociais. No momento, sabemos, como grupo, porque fazer e o que fazer, mas ainda não consolidamos uma convicção do como fazer.


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