A “grande recessão” se desdobra

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A Nova Economia é uma resposta concreta à crise ambiental, ao desiquilíbrio social e à procura por um já possível bem estar. Estas são questões que, mesmo urgentes, tendem a ser enfrentadas somente a longo prazo. Um fato contudo, pode levar a que a mudança se antecipe e comece em meados desta década. Trata-se da “Grande Recessão” que ao contrario de estar acabando, tudo indica, está se desdobrando em movimentos ainda mais graves.

Um artigo que acaba de ser publicado no RGE – Roubini Global Economics – “The End of Financial Vandalism – Moving Forward to the Real Economy” de Humayun Shahryar e Santi Rasanayagam no último dia 5, e principalmente o cuidadoso estudo, com o mesmo título, que o embasa e preparado pela Auvest Services Limited traz uma descrição contundente dos mencionados desdobramentos.

Os autores dão consequência em termos de análise a uma constatação já evidente: “O problema de débito excessivo não pode ser resolvido assumindo-se mais débito” e que foi exatamente o recurso utilizado pelos Bancos Centrais dos países desenvolvidos. Isto dá grande solidez à previsão que fazem. No documento a crise é vista em 5 grandes movimentos:

Crise de Crédito Global (já ocorrido): A escalada da alavancagem e o subsequente colapso no preço dos ativos levou a uma crise bancária e contração no crédito. Uma repentina queda no consumo e falta de financiamento para o comercio levou a um acirrado declínio no comércio internacional.

 Suicídio soberano (implementado nos países desenvolvidos): O amplo resgate de bancos e empresas pelo estado e os imensos estímulos fiscais em conjunto com menor receita de impostos resultou na disparada no débito governamental. Já sem opções de políticas fiscais, os bancos centrais recorreram a políticas monetárias não convencionais para gerar crescimento econômico.

A Falência do Mercado Emergente (em curso): O excesso de liquidez esta levando à inflação dos ativos, “commodities” e preços dos produtos e serviços nos mercados emergentes ao mesmo tempo em que cresce a pressão dos países desenvolvidos pela reavaliação das moedas. O aumento da inflação gera conflitos nas políticas econômicas e instabilidade política e social.

A Destruição do Débito (a ocorrer nos países desenvolvidos): O forte aumento no endividamento levará a um aumento no custo de seu financiamento nos próximos anos. Muitos devedores não vão conseguir honrar ou terão que reestruturar suas obrigações e o contágio resultante causará um colapso no preço dos ativos.

O Fim da Globalização (a ocorrer até meados da década): Falta de demanda final, alto desemprego no mundo desenvolvido e inflação nos países emergentes levará ao protecionismo e eventualmente a uma guerra de moedas e de cambio. Um novo sistema monetário terá que substituir o atual.

 Os autores indicam a Índia como o país emergente com maior possibilidade de iniciar a fuga de capitais. Isto devido à inflação, o custo dos alimentos e os déficits fiscal e de conta corrente. Ressaltam também a crise no mercado europeu. Mas, como outras crises têm demonstrado, qualquer acontecimento mais forte, ou mesmo o passar do tempo, pode deflagrar o desdobramento desta.

Sobre a crise europeia em particular, a jornalista Míriam Leitão publicou um excelente artigo, “De novo, a Europa” em O Globo, no último dia 10, onde ressalta que “Em algum momento os países mais fragilizados financeiramente do continente terão que renegociar suas dívidas, dando calote parcial nos bancos”. E mais adiante, reforça a visão de uma crise ainda se desdobrando: “A situação na Europa é crítica. Não há saídas fáceis pela frente. Tudo ainda é consequência da crise que atingiu o mundo desenvolvido em 2008”.

Aliás, ela volta ao assunto de forma ainda mais enfática na coluna de hoje “Na corda bamba” focando na situação da Grécia. “O país enfrenta enorme fuga de capitais dos próprios gregos para outros países”. A renegociação parece inevitável e “… a possibilidade de contágio em caso de calote grego é grande” porque “… a renegociação da dívida implicaria em perda para os bancos, e como a crise americana mostrou todo o sistema está interligado”.

É provável que o Brasil não venha a estar no epicentro da crise já que esta se deslocará para os países desenvolvidos a partir do 4º movimento, mas sofrerá com a inflação, uma forte redução no valor dos ativos (ações, imóveis, etc.) e recessão devida à redução no volume e valor do comércio internacional.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema. 

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2 Respostas to “A “grande recessão” se desdobra”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.

  2. Rodolfo Miranda Says:

    Vamos ver modificações profundas, na economia mundial, em virtude dos remédios contra o Global mealtdown..


Comentários encerrados.

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