Xingu: Os Caminhos de um Rio

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Bem, comece vendo o belo (e curto) vídeo produzido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre.

O post desta semana é sobre o artigo da antropóloga Cecília Campello do Amaral Mello “Xingu: os inúmeros caminhos de um rio” publicado em O Globo em 23 de abril último.

O trabalho complementa o vídeo e aponta para aspectos decisivos do porque não construir a usina de Belo Monte. Bem elaborado e de leitura fácil vale a pena ler o artigo. Dele, vou me ater à parte que que se refere aos estilos de vida dos que vivem na área.

Destaco dois trechos. Um após questionar a destinação da energia que será gerada em Belo Monte:

“A perspectiva da justiça ambiental indaga: e se os processos de tomada de decisão política incorporarem seriamente como critério que não deverá haver impactos desproporcionais de grandes obras sobre grupos sociais vulnerabilizados? E se esses grupos puderem fazer ver e valer seu modo de vida e terem respeitados os muitos aspectos não monetarizáveis de seu mundo? E se os grupos potencialmente atingidos puderem mostrar para a sociedade abrangente todas suas riquezas incomensuráveis em relação às quais o nosso modo de vida — baseado no consumo incessante e no uso predatório dos recursos naturais — é cego? O que há no rio Xingu que não pode ser simplesmente esmagado e transformado em mercadoria? O que é este rio para os povos indígenas e ribeirinhos que ali vivem?”

E outro com o qual termina o artigo:

“Como se vê, as crianças e populações indígenas do Xingu têm muito a nos ensinar. Eles nos mostram, por um lado, que um outro modelo de produção e consumo — sustentável e democrático — já existe Brasil adentro. Este modelo, ou melhor, essas saídas sempre criativas e combativas dos que escapam à mercantilização do seu território e modo de vida vêm sendo arduamente defendidas pelos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e pescadores do rio Xingu. Esses grupos sociais — que alguns já chamaram de “entraves ao desenvolvimento” — são os poucos ainda capazes de traçar linhas de fuga em relação ao modelo de produção e consumo hegemônico e apontar saídas para os impasses societais que vivemos. As soluções que propõem não envolvem, porém, grandes empreiteiras, empréstimos vultuosos de bancos públicos, construções faraônicas e predação de pessoas. São mais simples e eficientes. Suprem necessidades e vontades e garantem autonomias. Desconfiam do tal “desenvolvimento”.

Os povos do Xingu nos mostram, enfim, que um outro mundo já está sendo possível há muito tempo, nós é que pouca atenção prestamos a ele…”

O que mais me marcou nestes trechos foi perceber que já existem experiências concretas de um “outro mundo” marcado pela desmercantilização (aspecto tratado no post Simples e Relevante) e que estas trazem ensinamentos importantes para o delineamento e implementação de uma Nova Economia.

Infelizmente entretanto, tudo indica que as várias feições de “um outro mundo” somente se tornarão regra quando além da nossa ação consciente, a força dos acontecimentos as imponha. E mesmo assim, com alguma sorte e tremendos custos sociais e ambientais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

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Uma resposta to “Xingu: Os Caminhos de um Rio”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


Comentários encerrados.

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