Medir o bem estar?

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

oscar Niemeyer art museum - tile muralphoto © 2006 Ian Burt | more info (via: Wylio)

Parece-lhe adequado, leitor, tentar medir o bem estar humano em toda sua amplitude, material, social e psicológica? Creio que não.

Levanto esta questão porque alguns do movimento pela Nova Economia defendem tal abordagem. Em especial a nef que propõe inclusive uma detalhada quantificação objetiva e subjetiva. É a National Accounts of Well-being. E acaba de produzir um novo documento aprofundando a abordagem: Measuring our Progress.

Acredito que seja prudente preservar a singeleza de de um conceito que expressa o que cada um de nós sente e que é fugaz como a própria vida. E deixar que outras áreas de conhecimento procurem decifrar os enigmas que encerram o bem estar, a felicidade, a satisfação e outros conceitos ligados a nossos sentimentos.

Veja a obra de arte ao lado. Sem dúvida, expressa uma forma de beleza, simplicidade e movimento, que pode ou não ser parte dos valores reais de cada um de nós, mas que, nem por isto, deixamos de admirar.

Isto em nada diminui a importância do bem estar no contexto de uma Nova Economia. Apenas indica que não é conveniente substituir um indicador, o PIB, por outro que expresse de forma completa o bem estar. Ao contrário, o uso de um “painel” de indicadores, retratando as questões ambientais, sociais e do bem estar, na linha do proposto pelo relatório Stiglitz, tem mais a ver com a complexidade do mundo em que vivemos.

Complexidade evidente, dadas as ameaças ambientais, as graves tensões sociais decorrentes da incorporação ao mercado de bilhões de pessoas e de uma incontrolável difusão de informações que leva a todos desejarem os mesmos bens e serviços, e a crescente percepção de que a coletividade já pode prover os meios para que cada um de nós tenha uma vida feliz e plena, dentro das condicionantes, é claro, muito mais amplas, das circunstâncias particulares a cada um de nós.

A polemica vai longe, pois traz o perigoso potencial de ainda maior interferência do estado em nossas vidas. Prova disto, é a recente decisão do governo inglês de se propor a quantificar o bem estar para ajudar na formulação de políticas públicas. Nos próximos posts vou detalhar e criticar as propostas de regras para o bem estar e de quantificação do bem estar e tratar da questão da qualidade de vida, esta sim, apropriada ao contexto da Nova Economia.

Bem, a respeito, deixo-os com uma “máxima” do Riobaldo, personagem do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa – “Viver é muito perigoso…” – e que retrata por um outro angulo a complexidade mencionada.

E termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

Anúncios

Uma resposta to “Medir o bem estar?”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: