Consumo inútil (2ª parte)?

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Terminei o último post com duas questões relacionadas à utilidade dos bens. Uma, diz respeito à eficácia da manipulação do consumo e a outra, à validade da desqualificação do desejo por bens. A primeira foi objeto da pesquisa da semana anterior e na qual a opinião da totalidade dos que responderam foi diferente da minha. Repensei o assunto, é claro, mas continuo achando que o meu ponto de vista está correto.

A teoria afirma e inúmeros exemplos confirmam que a manipulação dos desejos pode ter um efeito até negativo se os produtos e serviços ofertados não corresponderem ao proposto e esperado e, principalmente, se não atenderem de fato a uma necessidade concreta, mesmo que nova. O que me leva a acreditar que a manipulação apesar de intensa é, em geral, inócua. É nociva, claro, pois exacerba desejos existentes, os anúncios de cerveja são um ótimo exemplo entre inúmeros, mas limita-se a isto.

Quanto à segunda questão, da desqualificação, além de infrutífera, não cabe dar ao desejo das pessoas um sentido positivo ou negativo, interpretar às “reais” necessidades humanas e propor controles à opção individual.

Este último argumento vale também para negar a afirmação de que a comparação com os outros e o “status” que se pretende adquirir pelo consumo sejam fatores não válidos de decisão.

Esta questão da utilidade fica ainda mais aguda quando se considera que o incessante avanço tecnológico, a evolução no transporte, a revolução nas comunicações e a globalização, permitem produtos e serviços novos ou em contínua evolução e com preços relativamente menores. Isto faz com que em todos os segmentos as possibilidades de consumo sejam praticamente ilimitadas. Os bens ofertados o são porque têm utilidade para as pessoas e seu consumo é contida apenas por razões econômicas e sociais. Fica claro, portanto, que do ponto de vista individual, os desejos por bens não são limitados.

Exemplifico o que foi dito até aqui através do segmento da alimentação. O leitor, certamente, terá muitos outros exemplos. Quanto melhores a variedade da dieta, a frescura dos produtos, a sua qualidade e preparo, os complementos, os serviços, entre outros, maior a satisfação individual. É isto que abre o espaço para que os agentes econômicos ofereçam incessantemente melhorias e ampliações nos produtos e serviços oferecidos.

Concluindo, verifica-se, frente a argumentação apresentada, que por qualquer um dos ângulos de abordagem, o significado do termo consumismo, do ponto de vista individual, é vazio. Questioná-lo, não leva a lugar nenhum.

O que não que dizer que consumir não tenha implicações. Têm, e muitas, entre elas o alto preço que cada um de nós paga para ter seus desejos atendidos. Este será o tema do próximo post. Até lá, deixo-os com a pesquisa da semana.

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Uma resposta to “Consumo inútil (2ª parte)?”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


Comentários encerrados.

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