A 3ª Revolução Industrial

No último post, dedicado à Nova Economia no Brasil, mencionei o artigo do professor Carlos Lessa no Valor Econômico intitulado “ A 3ª revolução industrial ainda não está à vista”. Vale a pena comentá-lo. Ele inicia o artigo mencionando que: “a versão realista de desenvolvimento socioeconômico sustentável se orienta para uma era cuja economia, produção industrial e vida social sejam baseadas na baixa emissão de carbono”.

E continua: “Essa nova era exige uma 3ª Revolução Industrial e provocará, em escala ciclópica, a destruição das atuais bases produtivas e equipamentos domésticos”. Mas, “o sistema capitalista resistirá de todos os meios e formas à introdução em massa dos procedimentos do baixo consumo de carbono. O único argumento que aceitará será o preço explosivo que irão assumindo todos os energéticos de carbono fóssil”. Daí o título que afirma que tal mudança não está à vista.

E pensar, que a baixa emissão de carbono, que gera tanta resistência, é apenas uma das componentes, todas com forte oposição, da visão de uma Nova Economia.

Particularizando para o caso brasileiro e ao período em que é forjada a 3ª revolução industrial, o professor menciona com certo pessimismo que “o Brasil, como “celeiro do mundo”, fornecedor de petróleo de alta qualidade e fortalecendo o plantio de cana-de-açúcar, não tem, nesse debate, lugar para o robustecimento da indústria, que é o setor gerador de emprego e renda de qualidade”.

Sobre isto vale argumentar que se o Brasil “celeiro do mundo” beneficiar o que produz, tal posição pode ser muito vantajosa dada a contínua incorporação ao mercado, anualmente, de centenas de milhões de seres humanos. Derivados de soja, café “blended”, açúcar, carne industrializada, aço e assim por diante podem ser produzidos de forma sustentável e serem parte significativa do perfil industrial brasileiro.

Quanto ao petróleo, o mencionado aumento explosivo de preços deve levar, finalmente, os EUA a adotarem uma pesada taxação específica, além da que se discute sobre a emissão de carbono, retendo a renda que seria enviada para os exportadores de petróleo, já que, de qualquer forma, o consumo será duramente afetado. Além disto, o aumento impulsiona e antecipa alternativas energéticas “limpas”. Isto significa que é alto o risco do Brasil, mais uma vez, estar tomando decisões que não estejam embasadas num cenário correto do futuro.

No balanço destas oportunidades e riscos, o Brasil parece estar numa posição bastante favorável. Esta, no entanto, não o retira do cenário mais amplo no qual predomina a incapacidade de resolverem-se os desequilíbrios mais profundos que provocaram a recente crise, em especial o descompasso entre consumo e poupança nos EUA. A persistir este quadro, a reação à mudança não será capaz de se contrapor às pressões pela transição para uma Nova Economia, que pode iniciar-se antes do que se imagina.

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Uma resposta to “A 3ª Revolução Industrial”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


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