Do Ambientalismo para a Nova Economia

O professor e ambientalista Gus Speth encerra uma brilhante palestra no Conselho Americano de Ciência e Meio Ambiente em janeiro último com uma ótima citação. Curiosamente, ele cita o expoente do monetarismo e quem hoje seria o mais ferrenho e credenciado opositor às teses da Nova Economia, o que não tira o valor da citação apresentada a seguir, é verdade.

Somente uma crise – real ou pressentida – possibilita reais mudanças. Quando tal crise ocorre, as ações que são tomadas dependem das ideias que estão disponíveis. Esta, eu acredito, é a nossa função básica: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las vivas e disponíveis até que o que era politicamente impossível se torne inevitável” – Milton Friedman.

Superando a realidade política e a “arte do possível” Gus Speth propõe na palestra que o ambientalismo amplie seu foco centrando-se em uma nova economia e para tanto, também em uma nova política. Isto, a partir da conclusão de que após 40 anos de lutas pela causa ambiental “ a esperança de real mudança na América está na fusão dos que se preocupam com o meio ambiente, a justiça social e uma democracia forte, gerando uma poderosa força progressista”.

O impulso sem fim pelo crescimento da economia americana mina as comunidades e o meio ambiente, alimenta uma destrutiva procura internacional por energia e outros recursos, e se apoia no consumismo, o que não está atendendo às reais necessidades humanas. Nós estamos substituindo as questões reais que realmente promovam o bem estar humano pelo crescimento e consumismo”.

Antes que seja muito tarde, eu penso que a América deveria mover-se para uma sociedade pós-crescimento onde o trabalho, o meio ambiente, as comunidades e o setor público não sejam mais sacrificados pelo simples objetivo do mero crescimento do PIB”.

Na transcrição da palestra o leitor encontrará um surpreendente histórico das conquistas ambientais desde o início da década de 70, um impressionante relato da situação ambiental atual e tendências, tanto americana quanto mundial, uma crítica detalhada ao modo de vida que a humanidade está sendo levada a praticar, uma caracterização das políticas públicas inerentes à sociedade pós-crescimento imaginada, e o relato de experiências concretas que proliferam-se relacionadas a novos modelos de vida em comunidade e empresas que priorizam a comunidade e o meio ambiente caracterizando um emergente 4º setor e que lhe permite dizer que “as sementes da Nova Economia já estão sendo plantadas por todo o canto”, enquanto, com diz a citação inicial, as condições para a mudança amadurecem.

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Uma resposta to “Do Ambientalismo para a Nova Economia”

  1. Christopher Says:

    Os comentários são centralizados no último post publicado.


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